Carros elétricos em garagens: quais são os riscos, os desafios e os cuidados para instalação de carregadores

O aumento nas vendas de carros elétricos provoca debate nos condomínios
Com o aumento da frota de carros elétricos e híbridos no Brasil, condomínios têm enfrentado um novo desafio: como adaptar as garagens para receber pontos de recarga com segurança e sem gerar conflitos entre moradores. Enquanto proprietários dos veículos defendem a instalação dos equipamentos, vizinhos questionam os custos, a infraestrutura necessária e os riscos envolvidos.
Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que o principal risco não está necessariamente nos veículos, mas em instalações improvisadas ou em estruturas elétricas que não foram projetadas para suportar a demanda adicional.
Mais carros elétricos levam carregadores para o centro da disputa em condomínios
Segurança exige adaptação da estrutura
Com a mudança na forma de abastecimento dos veículos, cresce também a necessidade de adequação das edificações. Especialistas alertam que a instalação de carregadores exige análise técnica e planejamento, especialmente em prédios mais antigos.
“O prédio antigo não vai dar conta de atender a uma demanda maior de energia. O maior risco possível é usar tomada sem saber a carga, sem saber se a parte técnica está correta”, afirma Omar Anauate, presidente da Associação Administrativa de Bens, Imóveis e Condomínios/SP.
Além das adaptações internas, alguns casos podem exigir reforço no fornecimento de energia pela concessionária.
“Começa-se internamente na alteração de cabeamento e dispositivos de proteção, mas não se exclui a necessidade de eventualmente solicitar mais energia para a concessionária”, explica Fábio Delatore, engenheiro eletricista, IMT.
Quais são os riscos?
Entre as preocupações mais frequentes está a segurança das baterias de íons de lítio, utilizadas na maior parte dos veículos elétricos.
“Existe a questão das baterias de íons de lítio. Elas realmente têm uma questão de serem mais inflamáveis se expostas ao oxigênio”, destaca Marco Aurélio Moreira, engenheiro elétrico.
Por isso, bombeiros e técnicos reforçam que qualquer instalação deve seguir normas específicas e evitar improvisos.
“A gente precisa evitar qualquer tipo de improviso. É uma nova tecnologia e uma ocorrência um pouco mais complexa. Ela demanda novas táticas e novas técnicas para fazer justamente esse combate”, afirma Capitão Murillo Amendoeira, Corpo Bombeiros/SP.
Quem paga a conta?
Outro ponto de debate é a divisão dos custos. Especialistas defendem que a energia consumida seja paga somente pelo proprietário do veículo, mas que eventuais obras estruturais precisem ser discutidas coletivamente.
“A estrutura todo mundo paga. Agora, a energia só paga quem vai usar. É absolutamente justo e claro. Tem que fazer um projeto, estar dentro das normas do bombeiro e passar por assembleia”, defende Marcio Rachkorsky, advogado especialista em condomínios.
Em São Paulo, uma lei estadual já garante ao morador o direito de instalar um carregador em sua própria vaga, desde que sejam respeitados critérios técnicos e de segurança. O condomínio só pode negar o pedido caso exista justificativa técnica.
Tendência para os próximos anos
Apesar das divergências, moradores que defendem a instalação dos carregadores acreditam que a medida será inevitável nos próximos anos e poderá até valorizar os imóveis.
“A valorização do seu imóvel, principalmente isso, porque hoje em dia todo mundo procura um prédio que tenha algo a mais”, afirma um morador.
Enquanto a decisão ainda não é tomada no condomínio do Rio, a expectativa é de que o debate avance nas próximas assembleias.
“Eu acredito que no final nós vamos conseguir uma energia limpa, com estrutura, com segurança. Acredito porque esse é o futuro”, diz outro morador.
A infraestrutura elétrica que leva energia até o carregador faz parte do prédio e pode ser compartilhada entre os demais condôminos.
Reprodução/TV Globo
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