Google obriga escolas a escolher entre permitir uso de IA ou perder acesso a seu buscador

Gemini é usado para gerar vídeos de IA de canal
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Alunos que utilizam ferramentas do Google em sala de aula não poderão acessar o mecanismo de busca da empresa a menos que suas redes de ensino também aceitem utilizar inteligência artificial (IA), informou a gigante da tecnologia na terça-feira (3).
A empresa, sediada em Mountain View, na Califórnia, vem enfrentando resistência de educadores, especialistas em desenvolvimento infantil e pais em relação ao uso de suas tecnologias nas escolas. As críticas se intensificaram desde agosto, quando o Google anunciou que havia ativado seu chatbot Gemini para muitos estudantes da educação básica que utilizam o Google Classroom.
Nesta terça-feira, a empresa informou que essa prática deixará de ser a configuração padrão para os administradores escolares. Em vez disso, as escolas de ensino fundamental e médio poderão ativar ou desativar individualmente cada ferramenta do Google — incluindo Gemini, Gemini Notebook e o buscador. Todas permanecerão desativadas por padrão até que os administradores decidam habilitá-las.
No entanto, como o mecanismo de busca está integrado à inteligência artificial, as escolas que optarem por não utilizar IA também perderão o acesso à busca do Google.
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“Acreditamos que as escolas devem ter controle sobre o uso da inteligência artificial em suas salas de aula. Por isso, estamos oferecendo aos administradores ferramentas para ajudá-los a gerenciar sua abordagem”, afirmou Chris Phillips, vice-presidente e gerente-geral de educação do Google, em uma publicação no blog da empresa.
O Google também informou que está atualizando suas ferramentas de busca para torná-las “mais adequadas ao aprendizado”. Entre as mudanças está a oferta de orientações passo a passo para a resolução de problemas, de modo que os estudantes não recebam simplesmente respostas prontas para suas tarefas escolares.
Ainda assim, desativar completamente a inteligência artificial não será possível para as escolas que desejarem continuar utilizando os produtos do Google.
O Google é, de longe, o principal fornecedor de tecnologia educacional para escolas dos Estados Unidos. Segundo a empresa, 150 milhões de estudantes e professores em todo o mundo utilizam a plataforma Google Classroom. Muitos alunos também usam computadores Chromebook fornecidos pelas próprias escolas.
Decisão provoca críticas de educadores e autoridades
O Google enfrentou uma onda de críticas em agosto, quando ativou seu chatbot Gemini para muitos estudantes da educação básica. Até então, a empresa só permitia que o Gemini fosse habilitado para alunos com 18 anos ou mais.
O anúncio desta terça-feira provocou reações imediatas de educadores e formuladores de políticas públicas.
“O Google está usando seu monopólio nas buscas para coagir as escolas a adotarem inteligência artificial. Isso evidencia o perigo de permitir que uma empresa monopolista, sem regulamentação, controle um serviço essencial”, escreveu Lina Khan, ex-presidente da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC), nas redes sociais.
“À medida que cresce a resistência da sociedade ao uso de IA nas escolas, o Google deixa claro que vai punir aqueles que não seguirem suas determinações”, acrescentou.
Nova York e Los Angeles, que abrigam as maiores redes públicas de ensino dos Estados Unidos, estabeleceram proibições temporárias ao uso de ferramentas de inteligência artificial generativa em escolas de ensino fundamental. As medidas foram adotadas enquanto as autoridades avaliam a utilização e a segurança dessas tecnologias e desenvolvem políticas para regulamentar seu uso.
Muitos estudantes já utilizam inteligência artificial para estudar e fazer tarefas escolares. No entanto, a tecnologia também facilitou práticas de cola e a obtenção de respostas rápidas e prontas, em vez de estimular o pensamento crítico.
Especialistas também têm levantado questionamentos sobre os efeitos do acesso à inteligência artificial no desenvolvimento cerebral das crianças.
Especialista defende que escolas abandonem ferramentas do Google
Josh Golin, diretor-executivo da Fairplay, organização de defesa dos direitos das crianças, afirmou que a tentativa do Google de “pressionar as escolas a utilizar seus produtos de inteligência artificial provavelmente terá o efeito contrário ao desejado”.
Segundo ele, a presença da tecnologia do Google nas escolas não tem como principal objetivo a aprendizagem, mas sim a “criação de uma fidelidade à marca que dure a vida inteira”.
“Como a inteligência artificial não é segura para crianças e prejudica a educação e o pensamento crítico, as escolas deveriam desativar as ferramentas de IA do Google assim que essa opção estiver disponível”, afirmou Golin em comunicado.
Em vez de se preocuparem com a perda de acesso ao buscador, Golin recomendou que as escolas desativem não apenas a inteligência artificial, mas também as ferramentas do Google.
Ele também sugeriu que as instituições aproveitem a oportunidade para ajudar os estudantes a encontrar alternativas de busca que ofereçam maior proteção à privacidade, além de incentivar formas de pesquisa mais aprofundadas, que vão além de simplesmente fazer buscas e clicar em resultados.Fonte: Read More











