Universidade nos EUA ‘elimina’ registro de notas para preservar saúde mental dos alunos

Prédio na Universidade de Michigan, nos EUA.
Wikimedia Commons
A Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, vai deixar de registrar as notas tradicionais dos alunos do primeiro ano no histórico escolar durante o primeiro semestre. De acordo com a universidade, o objetivo da medida é ajudar a “conter a crise de saúde mental entre jovens em idade universitária”.
A mudança faz parte de um projeto-piloto criado pela Faculdade de Literatura, Ciências e Artes (LSA, na sigla em inglês) para ajudar os calouros a se adaptarem às exigências da universidade.
A partir do outono de 2027, os estudantes da faculdade receberão somente as classificações “aprovado” (P, de pass) ou “sem crédito” (NC, de no credit).
Segundo a instituição, os estudantes continuarão recebendo as notas e os comentários dos professores normalmente em todas as disciplinas. A diferença é que as notas finais do primeiro semestre não serão registradas nos históricos escolares externos nem serão consideradas no cálculo do GPA, equivalente ao índice de desempenho acadêmico.
A universidade manterá internamente as notas obtidas pelos alunos. Elas poderão ser consultadas para atividades administrativas, orientação acadêmica, concessão de bolsas e prêmios e outras situações, como candidaturas a estágios, cursos fora da faculdade e oportunidades acadêmicas e profissionais.
A partir do segundo semestre, as notas voltarão a ser registradas normalmente nos históricos e passarão a ser consideradas no GPA em todos os semestres seguintes em que o aluno permanecer na Universidade de Michigan.
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Por que a universidade decidiu mudar o sistema?
Segundo a LSA, a iniciativa faz parte dos esforços da universidade para ajudar os estudantes a estabelecer um bom início na graduação. A faculdade afirma que esconder as notas no primeiro semestre pode permitir que os alunos se concentrem na adaptação à vida universitária e explorem novas áreas sem o receio de que uma nota baixa tenha consequências de longo prazo.
A proposta também busca incentivar que as escolhas acadêmicas sejam guiadas por interesses pessoais, e não apenas pela preocupação com o desempenho. A universidade afirma ainda que pretende estimular uma cultura de conexão e colaboração, em vez de competição.
A medida será aplicada a todos os alunos do primeiro ano da LSA e não será opcional. Estudantes que ingressarem na universidade por transferência não participarão do projeto-piloto.
Notas continuarão disponíveis para a universidade
Embora não apareçam no histórico externo, as notas do primeiro semestre não serão apagadas. O setor de registro acadêmico da universidade continuará armazenando os resultados para finalidades administrativas.
A Universidade de Michigan afirma que essas informações poderão ser usadas, por exemplo, para verificar requisitos de elegibilidade esportiva, prestar informações para órgãos de controle, acompanhar o progresso para a obtenção do diploma e avaliar a concessão de honrarias e prêmios acadêmicos.
O setor de auxílio financeiro também terá acesso às notas para verificar a situação acadêmica dos estudantes e sua elegibilidade para receber ajuda financeira.
Segundo a LSA, iniciativas semelhantes já são adotadas por outras universidades americanas. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), por exemplo, implementou um sistema de notas de primeiro ano em que os resultados não eram registrados no histórico em 1968.
A faculdade também cita o Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), o Swarthmore College e o Wellesley College como instituições que adotaram programas semelhantes.Fonte: Read More












