Rolling Stones soam revigorados em ‘Foreign Tongues’, disco com grandes feats e menção a Musk

Capa de ‘Foreign Tongues’, novo disco dos Rolling Stones
Divulgação
Título: “Foreign Tongues”
Artista: Rolling Stones
Nota: 7,5/10
Seguir se divertindo e criando com as mesmas pessoas, depois de décadas, pode soar uma tarefa hercúlea. Em “Foreign Tongues”, disco lançado nesta sexta (10), os Rolling Stones fazem parecer fácil.
Segundo disco do grupo nesta década, “Foreign Tongues” conversa muito com o álbum anterior, “Hackney Diamonds” (2023). Na prática, os dois formam uma “duplinha”, já que várias músicas foram gravadas nas mesmas sessões e têm o mesmo produtor (o americano Andrew Watt).
Neste álbum, também está “Hit Me in the Head,” com a última gravação do baterista Charlie Watts, morto em 2021.
Assim como o anterior, “Foreign Tongues” marca uma ótima fase da banda. Neste disco, os Stones soam como eles mesmos, inspirados e enérgicos: do blues rock meio “sujo”, às faixas mais delicadas, versões de sucessos do blues e do jazz… e até uma alfinetada no “magnata insano Sr. Musk” (“Mr. Charm”).
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Para tanto, o grupo, agora um trio, conta com grande elenco. Há participações de Paul McCartney (no baixo), Robert Smith, do The Cure, Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) e até Bruno Mars (o último toca uma campana em “Never Wanna Lose You”). Quem recebeu o convite, compareceu ao estúdio.
Rolling Stones em foto promocional do disco ‘Foreign Tongues’
Divulgação/Mark Seliger
Esse festão se traduz nas músicas, e “Foreign Tongues” é mais encorpado que seu antecessor. Logo na faixa de abertura, a ótima “Rough and Twisted”, eles se deleitam entre o piano suingado, guitarras soltas e uma mixagem que te coloca dentro do bar. Outras, como “In The Stars” e a disco “Jealous Lover”, são perfeitas para o rádio.
Estilosos como sempre, os músicos aparecem em ótima forma e (na maior parte do tempo) sem pretensões de mudar o mundo — apenas se divertir.
Mas mesmo sob o tom hedonista das letras, há espaço para um pouquinho de política: “Acordo enjoado e farto de todos esses autocratas / Sabe, eles parecem estar se multiplicando como um bando de ratos imundos, com seus mísseis em desfile”, entoa Jagger em “Covered in You”.
Aos 82 anos, Mick não está só com o quadril em dia, como a voz segue impressionantemente bem. O vocalista vai do falsete de “Jealous Lover” aos gritos e grunhidos em “Never Wanna Lose You”. As guitarras de Keith e Ronnie também estão em pleno vapor, conversando entre si ou cada uma seguindo um caminho.
Rolling Stones em foto promocional do disco ‘Foreign Tongues’
Divulgação/Kevin Mazur
Menos acertada é a versão de “You Know I’m No Good”, de Amy Winehouse. A letra de Amy combina com a voz rasgada de Mick (“você sabe que eu não presto”, canta ele), mas a versão não tem a melancolia que deixava a música tão cortante.
Ainda assim, “Foreign Tongues” é consistente e prova que os caras estão revigorados. Dá para sentir isso em canções como a vivaz “Never Wanna Lose You” e a delicada “Back In Your Life”. Na última, quando Mick diz “vamos, Ronnie [Wood]”, parece que você está ouvindo amigos em uma jam session.
O disco fecha com uma versão crua de “Beautiful Delilah”, de Chuck Berry, lembrando aqueles jovens britânicos que ouviam blues americano na adolescência. Nada mais Rolling Stones: estes homens, na faixa de oitenta anos, seguem encontrando no rock and roll sua fonte de juventude.
Arte/g1Fonte: Read More














